domingo, 23 de março de 2008

BBB 8 - UM GOSTO AMARGO DE DECEPÇÃO


Praticamente hoje se encerra o BBB8 com seu último paredão forte, com briga voto a voto. Tudo indica que o jogo já está ganho pelo Rafinha. Saio deste BBB com o sentimento de frustração. Não houve ídolos, ninguém para se admirar. Ao menos no BBB7 tínhamos o Alemão, o princípe que lutou pela mocinha. Sabemos que "alemão" foi apenas um personagem e que Diego nada tem das características decantadas na época. Terminado o BBB7, nada de romance, pois a novela havia acabado. Hoje, neste BBB torcíamos mais uma vez por encontrar ídolos, seres humanos interessantes, que nos despertassem nossas melhores qualidades. Mas isso não aconteceu, encontramos alí pessoas absolutamete comuns, sem brilho, totalmente despreparadas, sem uma maior compreensão da vida e do próprio jogo em que estavam participando, com execeção do Marcelo, por sua inteligência. Mas nós, sedentos de ídolos, fomos escolhendo os nossos. Torcidas fanáticas surgiram, as pessoas foram arrebatadas pelas emoções. Transformou-se o BBB8 num jogo de futebol, em que as torcidas torcem alucinadamente, independente se o time é bom ou não. O que captar disso é que estamos órfãos de ídolos, não temos bons paradigmas a nos inspirar e assim, agarramos nosso bbb e queremos que, por força, ele se torne aquilo que não é e nem poderá ser: alguém legal, alguém verdadeiro, humano, com suas contradições, suas imperfeições e, por que não, suas qualidades, dignas de serem admiradas. Torci pela Gyselle e pelo Marcelo. Sofri com as burradas praticadas pelos dois. Após a saída do Marcelo mantive meu voto na Gyselle. Mas é impossível não exergar o quanto essas pessoas que estão lá não são exemplos de coisa nenhuma. Nem sei se vou assistir aos próximos paredões, afinal, quem quer que ganhe esse milhão, vai me deixar com um sentimento de decepção.
Triste país esse carente de ídolos e que faz com que torçamos por criaturas medíocres a ponto de trocarmos ofensas crueis, uns aos outros.

E me pergunto: será que já não somos exatamente como esses que lá estão?

Saio desse BBB mais triste, mais desacreditada de nosso tempo e de nosso Brasil.

terça-feira, 11 de março de 2008

NO COUNTRY FOR OLD MEN - ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ


Assisti ao filme recordista de indicações ao Oscar - Onde Os Fracos Não Têm Vez - interpretando pelo impagável Anton Chigurh. Seu enigmático corte de cabelo demonstra visualmente que aquele homem não é comum, é a cara do Beiçola, o dono da pastelaria da Grande Família. Os diretores do filme certamente se inspiraram no visual pasteleiro, ao criar o personagem. Não fosse pela ausência de barriga eu até poderia pensar que eram a mesma pessoa.

Voltando ao filme, podemos dizer que ele desconstrói o modelo Hollywoodiano que esperamos das cenas, o mocinho morre no final, o xerife é um bundão preguiçoso, todos os atores famosos que aparecem são assassinados, e no final, quando se acredita que o serial killer morre no acidente, surpreendentemente ele escapa e foge, a pé.

O filme é muito bem realizado, bem dirigido, fotografias excelentes, Javier Bardem dá um show. É monótono e arrastado, mas prende o espectador pela perseguição implacável. O que importa no filme não é exatamente o enredo, mas os desenlaces totalmente inesperados, por serem banais, sem qualquer lance espetaculoso, como em geral ocorre no cinema americano. Não há desfecho, o que vale é a caçada.

Acho que o grande lance do filme é justamente o non sense.

Mas, se por um lado o filme traz cenas inesperadas, por outro, é extremamente obvio, confirmando o estilo americano de exploração da violência.

Sugiro a quem queira assistir, que leia antes a sinopse, para que não sai do cinema com a nítida sensação de que pegou o bonde andando, ou que foi roubado, ludibriado pelo Oscar.