O ordenamento jurídico de um país é um sistema que pressupõe ordem e unidade e quem dá essa unidade é a Constituição, que é a norma suprema ao qual todo o sistema normativo se subordina. É ela que confere o fundamento de validade de todas as outras normas, definindo ideologicamente um Estado. E é através dela que devem ser lidas e interpretadas todas as normas e institutos do direito infraconstitucional. A Constituição reflete os avanços e os aparentes retrocessos por que passam um Estado e o grau de maturidade de uma nação.
Na história das Constituições brasileiras é possível vislumbrar o processo jurídico-político-social do Brasil desde o Império até os dias de hoje. Com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789 surgiu nova ordem mundial. É sob a influência desse movimento que, com o título originário de “Carta de Lei – de 25 de março de 1824 nasce, durante o Império, a primeira Constituição brasileira. Era uma Constituição autoritária porque concentrava poderes nas mãos do imperador e instituía a supremacia do homem-proprietário. Entretanto, apesar do autoritarismo que aparece no texto, abraçou os princípios liberais e consagrou os Direitos Humanos, aparecendo no final do texto.
Em 1891, com a passagem do Império para República, outra Constituição inaugura algumas instituições políticas, adota o princípio de divisão de poderes e dá autonomia aos Estados. Era um texto liberal nitidamente inspirado no modelo americano.
Em 1934, com o país dando os primeiros passos rumo à industrialização, nasce nova Constituição, chamada Constituição Polaca, sob a influência das modernas Constituições alemã e mexicana, trazendo avanços consideráveis. Mas teve vida curta, com o golpe de Getúlio Vargas todos os novos direitos passaram a ser perseguidos.
Em 1937, sob a influência do fascismo internacional, surge uma nova Constituição para dar sustentação legal ao caminho autoritário que o Brasil iria trilhar por um longo período, institucionalizando a Ditadura Civil do Estado Novo.
Em 1946 cai a ditadura, surgindo um período de redemocratização no país, trazendo com ele uma nova Constituição que praticamente resgata o texto da Carta de 1934, acrescida de algumas conquistas sociais e econômicas. Mas essa democracia insólita brasileira sofre um novo golpe. O golpe militar de 64.
Para dar sustentação e aparente ar de legalidade ao regime autoritário da ditadura militar, o Brasil passa por duas Constituições, a de 1967 e a de 1969 (Emenda Constitucional nº 1, à Constituição de 1967). Durante esse período a lei foi parte integrante na organização da violência do Estado, através de um novo instrumento jurídico de repressão: os Atos Institucionais, sendo o mais duro deles, o AI-5, que suspendeu todas as garantias constitucionais e individuais.
Na evolução histórica constitucional brasileira nem sempre as constituições representaram uma conquista popular, acostumado a um Estado paternalista, o cidadão brasileiro se reconhece como titular de direitos, sem entender que é parte ativa na criação desses direitos. Somente a partir de 1986, com o movimento Diretas Já, que começaram os primeiros avanços na cidadania. Uma grande mobilização popular, por todo país, exigia eleições diretas.
Em 1988, a nova Constituição, e atual, consagra os direitos reclamados pelos movimentos sociais organizados e positiva os Direitos Fundamentais. Esses direitos, que em constituições pretéritas apareciam no final do texto, desta vez aparecem no início, numa alusão clara que a dignidade humana vem em primeiro lugar.
domingo, 7 de dezembro de 2008
VOLTA REDONDA, UMA CIDADE SEM MEMÓRIA.
Este não é exatamente um artigo, mas um desabafo de alguém que adotou esta cidade como sua e que aqui construiu a história de sua família, que aprendeu a amar cada metro quadrado deste espaço. Um desabafo com uma pequena (ou grande?) esperança de despertar as consciências para a perda da história de nossa cidade, Volta Redonda.
Deixo neste artigo meu protesto pela ausência de preservação histórica da memória arquitetônica da cidade, pela destruição das obras com significado peculiar, que remontam ao tempo de sua criação. A começar pela demolição, em 1955, da Igreja Santo Antonio, construída pelos portugueses por volta de 1880, e em seu lugar levantada uma nova e moderna igreja, em que coubessem todos os fiéis.
Pela demolição dos casarões de arquitetura colonial americana, que marcou a introdução de Volta Redonda na era industrial com a chegada da maior indústria siderúrgica da América Latina. Em nome do novo e da modernidade, a cada dia um casarão é demolido na Rua 33 e em seu lugar são colocadas obras modernas, arrojadas, enquanto a história vai se apagando. Viva o novo! Esqueça o velho! Esqueça o que já não é, porque nunca foi. E assim, paulatinamente, vão sumindo os vestígios de um passado recente. Foi assim com o cinema Poeirinha, apagado todos os seus traços, subtraído à história. Não importa, não será contado, ninguém saberá de sua existência e sua importância.
Quem veio de longe para levantar pedra por pedra, tijolo por tijolo esta cidade e construir um sonho de um Brasil moderno? Que braços construíram Volta Redonda? Arigó, quem se lembra dele? Hoje é só um monumento que poucos sabem que existe. A historia não é mais contada nas escolas, não interessa.
Pela falta de memória, os acontecimentos políticos estão abafados nos porões do esquecimento. Volta Redonda transformada em palco de guerra, a Usina ocupada pelos militares, para cumprir o mandado judicial de reintegração de posse. Em lugar de indenização, a impunidade, o esquecimento. Vinte anos depois e três operários mortos, restou apenas uma escultura de Oscar Niemeyer destruída, com aparência de abandono, como marca desse tempo.
Quem mais ama a cidade não são os filhos da terra, mas os forasteiros, que conseguem enxergar sua real dimensão, sua importância econômica, sua inserção na história do Brasil como um divisor de águas, um marco na era industrial brasileira. Triste a cidade que não tem o amor de seus filhos, triste a cidade que não preserva sua arquitetura, suas obras.
Uma cidade sem memória é uma cidade sem passado. Uma cidade sem memória é uma cidade sem cultura. Uma cidade sem memória é uma cidade sem paixão e sem sonhos. Uma cidade sem memória é quase uma cidade sem perspectiva de futuro. Está à deriva, navega conforme os ventos e as circunstâncias.
Quando foi que Volta Redonda perdeu o seu fio de Ariadne?
Deixo neste artigo meu protesto pela ausência de preservação histórica da memória arquitetônica da cidade, pela destruição das obras com significado peculiar, que remontam ao tempo de sua criação. A começar pela demolição, em 1955, da Igreja Santo Antonio, construída pelos portugueses por volta de 1880, e em seu lugar levantada uma nova e moderna igreja, em que coubessem todos os fiéis.
Pela demolição dos casarões de arquitetura colonial americana, que marcou a introdução de Volta Redonda na era industrial com a chegada da maior indústria siderúrgica da América Latina. Em nome do novo e da modernidade, a cada dia um casarão é demolido na Rua 33 e em seu lugar são colocadas obras modernas, arrojadas, enquanto a história vai se apagando. Viva o novo! Esqueça o velho! Esqueça o que já não é, porque nunca foi. E assim, paulatinamente, vão sumindo os vestígios de um passado recente. Foi assim com o cinema Poeirinha, apagado todos os seus traços, subtraído à história. Não importa, não será contado, ninguém saberá de sua existência e sua importância.
Quem veio de longe para levantar pedra por pedra, tijolo por tijolo esta cidade e construir um sonho de um Brasil moderno? Que braços construíram Volta Redonda? Arigó, quem se lembra dele? Hoje é só um monumento que poucos sabem que existe. A historia não é mais contada nas escolas, não interessa.
Pela falta de memória, os acontecimentos políticos estão abafados nos porões do esquecimento. Volta Redonda transformada em palco de guerra, a Usina ocupada pelos militares, para cumprir o mandado judicial de reintegração de posse. Em lugar de indenização, a impunidade, o esquecimento. Vinte anos depois e três operários mortos, restou apenas uma escultura de Oscar Niemeyer destruída, com aparência de abandono, como marca desse tempo.
Quem mais ama a cidade não são os filhos da terra, mas os forasteiros, que conseguem enxergar sua real dimensão, sua importância econômica, sua inserção na história do Brasil como um divisor de águas, um marco na era industrial brasileira. Triste a cidade que não tem o amor de seus filhos, triste a cidade que não preserva sua arquitetura, suas obras.
Uma cidade sem memória é uma cidade sem passado. Uma cidade sem memória é uma cidade sem cultura. Uma cidade sem memória é uma cidade sem paixão e sem sonhos. Uma cidade sem memória é quase uma cidade sem perspectiva de futuro. Está à deriva, navega conforme os ventos e as circunstâncias.
Quando foi que Volta Redonda perdeu o seu fio de Ariadne?
domingo, 12 de outubro de 2008
O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua
ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,pilantra,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Bertolt Brecht
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua
ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,pilantra,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Bertolt Brecht
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
DEFESA DO CONSUMIDOR - UM POUCO DE HISTÓRIA
Até 1988 o consumidor estava à mercê do mercado de consumo, tendo que se submeter aos abusos cometidos contra ele. Com a entrada em vigor da Constituição de 1988 a defesa do consumidor passou à categoria de princípio constitucional que deve ser protegido pelo Estado e pela sociedade, com o fim de se obter uma existência digna e com justiça social. A Constituição Federal ainda determinou que o Estado deve promover a defesa do consumidor contra os possíveis abusos ocorridos no mercado de consumo. Defender o consumidor é defender a dignidade da pessoa humana, que deve sempre se sobrepor a quaisquer outros interesses patrimoniais.
A determinação constitucional foi regulamentada pelo Código de Defesa do Consumidor, CDC, que entrou em vigor no ano de 1990 e representou um enorme avanço nas relações de consumo. A partir dessa lei, o consumidor pode exigir seus direitos e reivindicar um tratamento digno às suas queixas e reclamações. Para isso, é preciso que o consumidor conheça esses direitos e se sinta seguro para reclamar da forma mais adequada e eficiente. E nem sempre é necessário recorrer aos tribunais para ter os direitos atendidos, uma boa carta, adequadamente escrita, com a descrição do caso e a justificativa legal do pedido pode ser a maneira mais rápida e prática para resolver o problema.
Como se defender - Se você se sentiu lesado em alguma relação de consumo, procure se informar sobre seu direito nessa questão, busque orientação e saiba como se defender.
UNIÃO HOMOAFETIVA E A PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL
No Brasil ainda é quase uma unanimidade considerar que não pode haver casamento entre pessoas do mesmo sexo, visto que a diversidade é exigência legal e requisito fundamental para a caracterização do casamento. Todavia, os tempos mudaram, a família ganhou novos contornos e o modelo originário de família vendo sendo revisado. A Constituição reconhece outras formas de entidade familiar que são também merecedoras da proteção jurídica do Estado. A proteção historicamente assegurada ao casamento foi estendida à família, com todas as suas nuances.
Na atualidade é entidade familiar, por exemplo, a avó que vive com os netos, o pai que cuida sozinho dos filhos e, nessa linha de entendimento, também é considerada entidade familiar, por analogia, as relações estáveis estabelecidas entre pessoas do mesmo sexo. Esse é o entendimento de parte da doutrina civilista pós-moderna, dentre eles o da desembargadora Maria Berenice Dias Maria Berenice Dias, que defende a equiparação entre a união homoafetiva e a união estável, por interpretação analógica, afirmando que “O gênero da pessoa eleita não pode gerar tratamento desigualitário com relação a quem escolhe, sob pena de se estar diferenciando alguém pelo sexo que possui: se igual ou diferente do sexo da pessoa escolhida.”
A sociedade é formada também por inúmeros relacionamentos homoafetivos e essa situação fática não pode ser negada pelo Estado, sob pena de enriquecimento sem causa daqueles que não contribuíram para a produção do patrimônio adquirido pelo esforço comum. A ausência de legislação específica sobre o assunto, não impede que tais uniões produzam efeitos jurídicos.
A relação homoafetiva é modelo familiar autônomo, visto que não há a diversidade de sexos. A família pós-moderna tem como referencial o critério afetivo, amparado no direito à liberdade que se encontra garantido constitucionalmente. Nossa Constituição tem por princípio fundamental a proteção da dignidade da pessoa humana, que impõe uma nova postura dos civilista de vanguarda e um posicionamento efetivo dos tribunais, face à omissão legislativa.
Na atualidade é entidade familiar, por exemplo, a avó que vive com os netos, o pai que cuida sozinho dos filhos e, nessa linha de entendimento, também é considerada entidade familiar, por analogia, as relações estáveis estabelecidas entre pessoas do mesmo sexo. Esse é o entendimento de parte da doutrina civilista pós-moderna, dentre eles o da desembargadora Maria Berenice Dias Maria Berenice Dias, que defende a equiparação entre a união homoafetiva e a união estável, por interpretação analógica, afirmando que “O gênero da pessoa eleita não pode gerar tratamento desigualitário com relação a quem escolhe, sob pena de se estar diferenciando alguém pelo sexo que possui: se igual ou diferente do sexo da pessoa escolhida.”
A sociedade é formada também por inúmeros relacionamentos homoafetivos e essa situação fática não pode ser negada pelo Estado, sob pena de enriquecimento sem causa daqueles que não contribuíram para a produção do patrimônio adquirido pelo esforço comum. A ausência de legislação específica sobre o assunto, não impede que tais uniões produzam efeitos jurídicos.
A relação homoafetiva é modelo familiar autônomo, visto que não há a diversidade de sexos. A família pós-moderna tem como referencial o critério afetivo, amparado no direito à liberdade que se encontra garantido constitucionalmente. Nossa Constituição tem por princípio fundamental a proteção da dignidade da pessoa humana, que impõe uma nova postura dos civilista de vanguarda e um posicionamento efetivo dos tribunais, face à omissão legislativa.
O estado democrático de direito não pode ignorar a existência dos relacionamentos afetivos entre pessoas do mesmo sexo. No entendimento da desembargadora Maria Berenice Dias, “existindo vínculo amoroso, vida em comum e o estabelecimento de convivência em que está presente a mútua assistência e a conjunção de esforços para a sobrevivência do par, a lei necessita arrostar essa realidade. O legislador não pode se omitir e deve atribuir a tais relações conseqüências jurídicas, garantindo os direitos inerentes às relações familiares”.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, da qual o Brasil é signatário, determina que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, afastando qualquer tipo de discriminação. Essa norma de direito internacional, repetida em nossa constituição, impede que o preconceito e a intolerância prevaleçam sobre o direito fundamental à igualdade substancial.
domingo, 23 de março de 2008
BBB 8 - UM GOSTO AMARGO DE DECEPÇÃO

Praticamente hoje se encerra o BBB8 com seu último paredão forte, com briga voto a voto. Tudo indica que o jogo já está ganho pelo Rafinha. Saio deste BBB com o sentimento de frustração. Não houve ídolos, ninguém para se admirar. Ao menos no BBB7 tínhamos o Alemão, o princípe que lutou pela mocinha. Sabemos que "alemão" foi apenas um personagem e que Diego nada tem das características decantadas na época. Terminado o BBB7, nada de romance, pois a novela havia acabado. Hoje, neste BBB torcíamos mais uma vez por encontrar ídolos, seres humanos interessantes, que nos despertassem nossas melhores qualidades. Mas isso não aconteceu, encontramos alí pessoas absolutamete comuns, sem brilho, totalmente despreparadas, sem uma maior compreensão da vida e do próprio jogo em que estavam participando, com execeção do Marcelo, por sua inteligência. Mas nós, sedentos de ídolos, fomos escolhendo os nossos. Torcidas fanáticas surgiram, as pessoas foram arrebatadas pelas emoções. Transformou-se o BBB8 num jogo de futebol, em que as torcidas torcem alucinadamente, independente se o time é bom ou não. O que captar disso é que estamos órfãos de ídolos, não temos bons paradigmas a nos inspirar e assim, agarramos nosso bbb e queremos que, por força, ele se torne aquilo que não é e nem poderá ser: alguém legal, alguém verdadeiro, humano, com suas contradições, suas imperfeições e, por que não, suas qualidades, dignas de serem admiradas. Torci pela Gyselle e pelo Marcelo. Sofri com as burradas praticadas pelos dois. Após a saída do Marcelo mantive meu voto na Gyselle. Mas é impossível não exergar o quanto essas pessoas que estão lá não são exemplos de coisa nenhuma. Nem sei se vou assistir aos próximos paredões, afinal, quem quer que ganhe esse milhão, vai me deixar com um sentimento de decepção.
Triste país esse carente de ídolos e que faz com que torçamos por criaturas medíocres a ponto de trocarmos ofensas crueis, uns aos outros.
E me pergunto: será que já não somos exatamente como esses que lá estão?
Saio desse BBB mais triste, mais desacreditada de nosso tempo e de nosso Brasil.
Triste país esse carente de ídolos e que faz com que torçamos por criaturas medíocres a ponto de trocarmos ofensas crueis, uns aos outros.
E me pergunto: será que já não somos exatamente como esses que lá estão?
Saio desse BBB mais triste, mais desacreditada de nosso tempo e de nosso Brasil.
terça-feira, 11 de março de 2008
NO COUNTRY FOR OLD MEN - ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Assisti ao filme recordista de indicações ao Oscar - Onde Os Fracos Não Têm Vez - interpretando pelo impagável Anton Chigurh. Seu enigmático corte de cabelo demonstra visualmente que aquele homem não é comum, é a cara do Beiçola, o dono da pastelaria da Grande Família. Os diretores do filme certamente se inspiraram no visual pasteleiro, ao criar o personagem. Não fosse pela ausência de barriga eu até poderia pensar que eram a mesma pessoa.
Voltando ao filme, podemos dizer que ele desconstrói o modelo Hollywoodiano que esperamos das cenas, o mocinho morre no final, o xerife é um bundão preguiçoso, todos os atores famosos que aparecem são assassinados, e no final, quando se acredita que o serial killer morre no acidente, surpreendentemente ele escapa e foge, a pé.
O filme é muito bem realizado, bem dirigido, fotografias excelentes, Javier Bardem dá um show. É monótono e arrastado, mas prende o espectador pela perseguição implacável. O que importa no filme não é exatamente o enredo, mas os desenlaces totalmente inesperados, por serem banais, sem qualquer lance espetaculoso, como em geral ocorre no cinema americano. Não há desfecho, o que vale é a caçada.
Acho que o grande lance do filme é justamente o non sense.
Mas, se por um lado o filme traz cenas inesperadas, por outro, é extremamente obvio, confirmando o estilo americano de exploração da violência.
Sugiro a quem queira assistir, que leia antes a sinopse, para que não sai do cinema com a nítida sensação de que pegou o bonde andando, ou que foi roubado, ludibriado pelo Oscar.
Voltando ao filme, podemos dizer que ele desconstrói o modelo Hollywoodiano que esperamos das cenas, o mocinho morre no final, o xerife é um bundão preguiçoso, todos os atores famosos que aparecem são assassinados, e no final, quando se acredita que o serial killer morre no acidente, surpreendentemente ele escapa e foge, a pé.
O filme é muito bem realizado, bem dirigido, fotografias excelentes, Javier Bardem dá um show. É monótono e arrastado, mas prende o espectador pela perseguição implacável. O que importa no filme não é exatamente o enredo, mas os desenlaces totalmente inesperados, por serem banais, sem qualquer lance espetaculoso, como em geral ocorre no cinema americano. Não há desfecho, o que vale é a caçada.
Acho que o grande lance do filme é justamente o non sense.
Mas, se por um lado o filme traz cenas inesperadas, por outro, é extremamente obvio, confirmando o estilo americano de exploração da violência.
Sugiro a quem queira assistir, que leia antes a sinopse, para que não sai do cinema com a nítida sensação de que pegou o bonde andando, ou que foi roubado, ludibriado pelo Oscar.
domingo, 20 de janeiro de 2008
BIOGRAFIA
Era um grande nome - ora que dúvida!
Uma verdadeira glória.
Um dia adoeceu, morreu, virou rua...
E continuaram a pisar em cima dele.
(Mário Quintana)
Uma verdadeira glória.
Um dia adoeceu, morreu, virou rua...
E continuaram a pisar em cima dele.
(Mário Quintana)
DA PERFEIÇÃO DA VIDA
Por que prender a vida em conceitos e normas?
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!
(Mário Quintana)
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!
(Mário Quintana)
DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio…
(Mário Quintana)
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio…
(Mário Quintana)
MARIO QUINTANA, POR ELE MESMO

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
MEMÓRIA
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
NO MUNDO DE ALICE
Tenho oscilado entre ser Alice ou o Coelho do País das Maravilhas. Estou sempre apressada, muito apressada. Mas, como Alice, também sou uma observadora deste mundo surreal, deste país de sonhos e de absurdos.
Há que se ter imaginação, humor neste universo de nonsense, para que tudo possa ter sentido. Há que se controlar os impulsos e não beber todo o conteúdo, correndo o risco de ficar grande ou pequena demais aos olhos dos outros.
Talvez, também eu precise dos ensinamentos de uma lagarta para aprender a lidar com tiranos, os aduladores, os corruptos. Conversar com chapeleiros loucos, gato sorridente, “Cheshire Cats”, rainhas tiranas. Para amadurecer e alcançar a liberdade, afirmando-me como pessoa independente. E finalmente acordar.
Imagem obtida no site:
domingo, 13 de janeiro de 2008
CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles
sábado, 12 de janeiro de 2008
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Maireles
Cecília Maireles
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