terça-feira, 9 de junho de 2015

Blog não é um diário

Há momentos em que as palavras estão efervescentes e necessitando de um espaço para transbordar. Chegam aos milhares e precisam de formas, montam-se espontaneamente, refletindo a vida. Um blog tem essa função, capturar as palavras e transformá-las em história. Um blog não é necessariamente um diário, antes um brincar de vida com palavras e frases, formando um sentido.


As palavras capturadas montam-se espontaneamente, e são  livres, bem como as histórias nascidas. Um filme, uma conversa com um amigo, um caso, uma série, tudo pode servir para o start a um novo enredo. O legal é que cada postagem abre-se para a nova experiência que se não viveu.

É uma terapia, um exercício mental, quase um alívio. Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência. Mas não falo de mim, falo o que sai de mim.

Existem observadores de pássaros, pois bem, sou observadora de gente, ando a observar pessoas, imaginando suas vidas, o que pensam, como se relacionam com o mundo, o que fazem, como reagem. Ando a imaginar pessoas que não conheci, e assim, surgem as palavras e os enredos.


E se o poeta é um fingidor, o escritor não é diferente, sua matéria prima é a imaginação e a realidade, qualquer realidade, porque fala de vida forjada com palavras.





domingo, 7 de junho de 2015

Exercício de Positividade. 

É preciso tomar consciência de tudo que nos fez e faz bem, são banalidades, por fazerem parte da vida, mas é o que nos dá sustentação. E por serem banalidades passam despercebidas, como se não tivessem importância.

Por outro lado, o que nos faz ou fez mal não conseguimos esquecer, são marcas profundas que gravam nossa alma, que nos fazem mentalizá-las de forma quase que constante. Marcam tanto que não nos deixam esquecer o que sofremos, aprisionando-nos ao sofrimento.

O ser humano é interessante, tem essa enorme capacidade de lembrar o mal, de forma insistente, com isso deixando passar as coisas boas, os momentos felizes que, por serem aparentemente banais, não tem visibilidade suficiente para romper a corrente do sofrimento.

Não é nenhuma novidade a importância do pensamento positivo, no entanto, o negligenciamos dando espaço para pensamentos ruins. Fiz parte desse grupo, embora eu possa me considerar uma pessoa otimista. Aliás, não fazer parte desse grupo exige um constate exercício, um exercício diário.

A verdade é que estamos rodeados de pensamentos masoquistas, os meios de comunicação não nos deixam mentir. Não há nada mais pessimistas que os jornais, acabam com o bom astral de qualquer cristão ou não cristão. No Twitter, os jornais que sigo insistem em falar na possibilidade de uma terceira guerra mundial, como que a torcer por ela.

Para ser feliz, dentro da medida do possível, é preciso resistir às investidas dos pensamentos negativos, seja dos veículos de comunicação, que nos instigam a enxergar a realidade bem pior do que realmente é (afinal, notícias boas não dão ibope), seja através de amigos e conhecidos nossos, que se comportam como verdadeiros vampiros.

Vampiros existem sim, mas não tem os dentes pontudos, prontos para fincarem em nosso pescoço. Vampiros são aqueles que só trazem notícias negativas, aquelas pessoas que tem a capacidade de nos deixar para baixo, às vezes com uma única palavra venenosa, que nos derruba.

Portanto, para ser feliz é preciso resistir ao mal, resistir aos pensamentos negativos, às pessoas negativas e, sobretudo, à nós mesmos. Somos também nossos próprios algozes. Realizar
o que Jesus falou sobre "vigiar e orar".  Vigiar é vigiar a si mesmo, aos pensamentos. O alcance do vigiar é bastante intenso. E orar é permanecer na fé, acreditar no bem.

Para alcançar isso é preciso exercitar todos os dias, na busca do domínio do cérebro e das emoções. Ter calma para ajudar na reflexão, afastando os sentimentos negativos, esvaziando a mente das sensações ruins que ocupam os espaços mentais. O negativo é o oposto do positivo. Ocupar a mente com pensamentos positivos é essencial, tanto quanto esvaziar a mente dos sentimentos negativos,  afastando os fantasmas que povoam o cérebro, impedindo-nos de ser felizes. Pensamentos negativos são um fardo.

Estou lendo um livro muito interessante que sugere, para fortalecer pensamentos positivos, o registro do sucesso e da felicidade, fazendo-o por escrito, no que o autor chamou de "o diário da felicidade".

E assim o autor propõe que se compre um caderno bem bonito e grosso,  para que se possa registrar nele somente os momentos bons, pelos quais passamos ao longo de nossas vidas, somente as experiências positivas, tudo que trouxe alegria e felicidade, relatando fatos do passado e do presente. Não há necessidade de ser em ordem cronológica, pode ser de acordo com o que for lembrando, não é preciso descrever a história, basta um simples registro de tal fato.

O importante é o registro das coisas boas, seja da forma que preferir.

No começo parece difícil, pois as lembranças ruins, os fantasmas, querem dominar.  Após algumas tentavas, as boas lembranças começam a fluir e a gente vai se dando conta das tantas coisas boas que aconteceram, que nos surpreenderam. Na verdade, eu enxerguei a minha história repleta de milagres, de anjos encarnados que apareceram para me salvar quando tudo parecia estar perdido. E isso aconteceu não uma vez, mas inúmeras vezes, ao longo de minha vida.

Tenho registrado tudo o que me faz bem, tudo que foi bom e útil, tudo que me trouxe felicidade, não só fatos, mas as pessoas que contribuíram para isso, suas qualidades, sua importância em minha vida.

E assim fui me dando conta que tenho muito mais a agradecer do que reclamar, que anjos existem, mas não necessariamente tem asas, que a felicidade não é algo pronto, mas um exercício constante do vigiar e orar.










sábado, 6 de junho de 2015


 Sábado à noite

Sábado à noite, sozinha em casa ela pensava no que fazer. Poderia sair para jantar, ir ao cinema, mas preferiu ficar em casa. Tinha muitos livros pra ler, trabalho de faculdade para concluir, tantas coisas que não sabia por onde começar. Preferiu então deixar o trabalho acadêmico para o dia seguinte.

Estava numa fase romântica, justamente quando achava que isso já tivesse ficado no passado. Não se achava mais em idade pra romantismos, mas quem disse que romantismo tem idade? E assim, repleta de romance, sonhava. Contribuindo para seus sentimentos, os canais a cabo só passavam filmes românticos, pela proximidade do dia dos namorados.

Estava sozinha e queria ao menos um papo legal para um final de noite.  Não tinha coragem para Tinder, achava artificial, como se as pessoas fossem produtos numa vitrina a espera de um consumidor. Havia instalado o programa, mas não teve coragem de usar, não se sentia à vontade.

Sábado à noite, sozinha, mas não exatamente solitária, sua mente estava repleta de planos, o que queria era partilhar suas dúvidas, até sua ansiedade. Aliás, dizem que ansiedade é a preocupação com o futuro, talvez fosse isto. Dizem que é o oposto de depressão, e que esta funciona mais ou menos como uma prisão no passado. Decididamente, não estava deprimida, e sim ansiosa.

Já sabia o que fazer no domingo, acordar cedo, correr, cuidar do corpo e da alma, produzir serotonina com o exercício e todos os outros hormônios que provocam a felicidade. E dar prosseguimento ao seu trabalho acadêmico, que tinha data para ser entregue.

O único incômodo com aquele sábado à noite era a vontade de alguém para conversar e, um pouco mais, talvez o desejo de uma companhia, ainda que silenciosa. Pronto, era a fase romântica criando problemas para uma noite tão tranquila e com tantas coisas legais e importantes para fazer em casa.

Mas, como tudo o mais,  passa. Estava em paz.Voltou para os livros.







Depressão, uma montanha russa incontrolável

Tá, é isso, pensamentos positivos, auto estima em ascensão e pronto, tudo certo! Mas não é assim que acontece. Quando a montanha russa se instalada, a coisa fica feia e difícil de controlar. Terapia ajuda e muito, mas a sensação de sobe e desce, ou sobe sobe que vai cair, é quase que incontrolável.

Não dá pra explicar porque isso acontece, mas acontece. Alguma coisa externa dá o start, aciona o botão e pronto, estamos nós com um parque de diversões instalado dentro do peito, com um único brinquedo, a montanha russa querendo nos jogar lá do alto.

Quem não passou por isso alguma vez na vida? Sorte para quem ficou imune, mas acontece. O importante é entender que passa, mesmo que demore, e ajuda profissional é importante. A química do corpo está envolvida, somos matéria movida à química, resultado de combinações muitas vezes explosiva.

Amigos são essenciais, o importante é não se isolar, pedir socorro. Não se deve perder o controle, embora a sensação seja de total perda. Tudo, ou quase tudo, é válido para a sobrevivência, porque pode matar.

Ideias obsessivas, fixação e dependência.  Não se enxerga saída, não se vê perspectivas, somente o olho do furacão destruidor.

A depressão, ansiedade, ou outros nomes que se queira dar, não é uma exclusividade, qualquer um está sujeito em algum momento da vida.









sexta-feira, 5 de junho de 2015


Era uma vez um canalha...

Era um canalha, desses bem apessoados, meia idade, cabelos grisalhos, com dinheiro, o que o tornava atrativo para a maioria das mulheres. Aliás, diga-se de passagem, mulheres costumam se vender muito barato, ainda mais se o canalha tiver boa aparência.

Mas vamos ao real, canalha que se preze é canalha e ponto final. Não tem caráter, ou finge ter. Canalhas sabem mentir, mentem sem a menor cerimônia. Talvez acreditem nas mentiras que eles próprios contam, por isso mentem com convicção, são bastante convincentes. .

O maior problema dos canalhas é que você só descobre a canalhice bem depois, quando já não dá mais tempo de fugir, quando os laços estão bem apertados e uma bagagem de anos vividos atrás.

Quem nunca conheceu um canalha que levante as mãos para o céu!
Canalhas não vem com rótulos e, muitas vezes, nem sabem que são canalhas.

Gostam de manter o controle e exercer o poder. Ficam furiosos quando desobedecidos e desafiados. Vingam-se sem a menor cerimônia. Preservam seu espaço de liberdade impenetrável, uma faixa de exclusão, que pertence só a eles.A liberdade que usufruem não é a que dão.

Canalha que é canalha é sério, inspira confiança, goza de credibilidade, é careta, não gosta de extravagância e, em especial, extravagâncias sexuais. Quem tentar desmascarar o canalha corre o risco de passar por mentiroso ou louco. E por ser sério, em sua faixa de exclusividade exercita sua outra personalidade, onde pode ser o que realmente é, devasso, sacana, fissurado em sexo. Curte uma sacanagem, adora vídeos pornô, embora em casa diga que não. Afina, canalha é canalha.

Faz o tipo dos antigos, esposa tem que ser santa, nada de sacanagem. Na rua quer puta. E se a esposa pretender ser as duas, fica escandalizado. Esposa é esposa, puta é puta.  E o canalha um filho da puta.

Como lidar com o canalha? O melhor é livrar-se dele!!







terça-feira, 26 de maio de 2015

As muitas formas de amor


Ela o amou com todas as forças que restaram desses longos anos de relacionamento. Como se o amor tivesse chegado ao seu momento mais alto. 

Quando tudo parecia prestes a um ponto final, eis que a vida acrescentou novos capítulos. 

E o amor reacendeu com força, cobrando amor com atitudes. O corpo queria o outro corpo, a alma exigia afeto, carinho. E assim, ela o amou outra vez e ele correspondeu.

A verdade é que há dores, cicatrizes e feridas novas, pela falta de exclusividade. Exclusividade é uma decisão, não é algo que venha naturalmente. 

O mundo é repleto de atrativos, de possibilidades sedutoras, mas é preciso olhar para o que se tem e avaliar os riscos envolvidos. Para o amor não vale a pena correr riscos. Não abrir espaço para as possibilidades é uma decisão.

A convivência prolongada construiu a história de suas vidas. Abrir espaço para as possibilidades é colocar em risco a própria história, a vida construída. É criar muros e dores.

Hoje ela está no apogeu do amor, luta internamente para manter o relacionamento. Esteve prestes a desistir, por alguns dias, ou semanas, a decisão do rompimento era algo real. Tão real que assustou. Ele desconhece essa suposta possibilidade.

E o amor reacendeu como que a impedir a desistência. Se manifestou com humildade, abrindo mão do orgulho ferido, do amor-próprio, atropelando a autoestima, numa busca desesperada pela sobrevivência.

Ninguém pode avaliar a capacidade deste amor, como ela o amou e ainda ama. Nem ela própria. 

Durante todos esses anos ela o amou de tantas formas de amar.
Nos primeiros anos amou apaixonadamente, com um amor puro, inocente e delicado. Depois o amou com rebeldia, com revolta. Com o tempo, o amor mais parecia ódio, muito ódio. E o ódio transformou esse amor em desejo de vingança. E ela o amou vingativamente. 

E assim, com o tempo, com o correr dos anos e das dores, acabou por amar através da indiferença. E quando não se esperava mais nada desse amor, eis que reacendeu, na forma de perdão.

Até onde o amor pode suportar? 

Maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

Acabei de assistir o filme Para Roma com Amor de Woody Allen. Não tão bom quanto os anteriores, o filme é bastante divertido. Não sei se estou correta, mas captei uma certa mensagem político filosófica na trama, em que o capitalismo sai vencedor. Na discussão do arquiteto que, para mim, ao dar uma volta pelas ruelas de Roma encontra-se com ele mesmo, jovem. Isso me pareceu bem evidente. As evidências são muitas, ao deixar a mesa em que está com a esposa e amigos, ela faz um comentário sobre a expressão "melancolia de Ozymandias", expressão que ele ouviu de Mônica, seu romance transgressor da juventude, quando estavam nas ruínas do Coliseu no passado.