domingo, 20 de janeiro de 2008

BIOGRAFIA

Era um grande nome - ora que dúvida!
Uma verdadeira glória.
Um dia adoeceu, morreu, virou rua...
E continuaram a pisar em cima dele.

(Mário Quintana)

DA PERFEIÇÃO DA VIDA

Por que prender a vida em conceitos e normas?
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!

(Mário Quintana)

POEMINHA DO CONTRA


Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão.

Eu passarinho!


(Mário Quintana)

DA OBSERVAÇÃO

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio…

(Mário Quintana)

MARIO QUINTANA, POR ELE MESMO


Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

MEMÓRIA


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão


Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.


Carlos Drumond de Andrade

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

NO MUNDO DE ALICE


Já se imaginou como algum personagem de história infantil?


Tenho oscilado entre ser Alice ou o Coelho do País das Maravilhas. Estou sempre apressada, muito apressada. Mas, como Alice, também sou uma observadora deste mundo surreal, deste país de sonhos e de absurdos.


Há que se ter imaginação, humor neste universo de nonsense, para que tudo possa ter sentido. Há que se controlar os impulsos e não beber todo o conteúdo, correndo o risco de ficar grande ou pequena demais aos olhos dos outros.


Talvez, também eu precise dos ensinamentos de uma lagarta para aprender a lidar com tiranos, os aduladores, os corruptos. Conversar com chapeleiros loucos, gato sorridente, “Cheshire Cats”, rainhas tiranas. Para amadurecer e alcançar a liberdade, afirmando-me como pessoa independente. E finalmente acordar.


Imagem obtida no site:

domingo, 13 de janeiro de 2008

CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!

Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

sábado, 12 de janeiro de 2008

Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face?"

Cecília Maireles
Este é o primeiro post deste blog ao qual chamei "Ma Extravagance", título em francês para dizer "minha extravagância". Por que francês? Bem, tive noções básicas de francês na infância, e tenho sentido vontade de voltar a estudar esse idioma. Alguma coisa não se perdeu no tempo, mon amie.