As muitas formas de amor
Ela o amou com todas as forças que restaram desses longos anos de relacionamento. Como se o amor tivesse chegado ao seu momento mais alto.
Quando tudo parecia prestes a um ponto final, eis que a vida acrescentou novos capítulos.
E o amor reacendeu com força, cobrando amor com atitudes. O corpo queria o outro corpo, a alma exigia afeto, carinho. E assim, ela o amou outra vez e ele correspondeu.
A verdade é que há dores, cicatrizes e feridas novas, pela falta de exclusividade. Exclusividade é uma decisão, não é algo que venha naturalmente.
O mundo é repleto de atrativos, de possibilidades sedutoras, mas é preciso olhar para o que se tem e avaliar os riscos envolvidos. Para o amor não vale a pena correr riscos. Não abrir espaço para as possibilidades é uma decisão.
A convivência prolongada construiu a história de suas vidas. Abrir espaço para as possibilidades é colocar em risco a própria história, a vida construída. É criar muros e dores.
Hoje ela está no apogeu do amor, luta internamente para manter o relacionamento. Esteve prestes a desistir, por alguns dias, ou semanas, a decisão do rompimento era algo real. Tão real que assustou. Ele desconhece essa suposta possibilidade.
E o amor reacendeu como que a impedir a desistência. Se manifestou
com humildade, abrindo mão do orgulho ferido, do amor-próprio, atropelando a autoestima, numa busca desesperada pela
sobrevivência.
Ninguém pode avaliar a capacidade deste amor, como ela o amou e ainda ama. Nem ela própria.
Durante todos esses anos ela o amou de tantas formas de
amar.
Nos primeiros anos amou apaixonadamente, com um amor puro, inocente e delicado. Depois o amou com rebeldia, com revolta. Com o tempo, o amor mais parecia ódio, muito ódio. E o ódio transformou esse amor em desejo de vingança. E ela o amou vingativamente.
E assim, com o tempo, com o correr dos anos e das dores, acabou por amar através da indiferença. E quando não se esperava mais nada desse amor, eis que reacendeu, na forma de perdão.
Até onde o amor pode suportar?
Maio de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
Acabei de assistir o filme Para Roma com Amor de Woody Allen. Não tão bom quanto os anteriores, o filme é bastante divertido. Não sei se estou correta, mas captei uma certa mensagem político filosófica na trama, em que o capitalismo sai vencedor. Na discussão do arquiteto que, para mim, ao dar uma volta pelas ruelas de Roma encontra-se com ele mesmo, jovem. Isso me pareceu bem evidente.
As evidências são muitas, ao deixar a mesa em que está com a esposa e amigos, ela faz um comentário sobre a expressão "melancolia de Ozymandias", expressão que ele ouviu de Mônica, seu romance transgressor da juventude, quando estavam nas ruínas do Coliseu no passado.
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