terça-feira, 26 de maio de 2015

As muitas formas de amor


Ela o amou com todas as forças que restaram desses longos anos de relacionamento. Como se o amor tivesse chegado ao seu momento mais alto. 

Quando tudo parecia prestes a um ponto final, eis que a vida acrescentou novos capítulos. 

E o amor reacendeu com força, cobrando amor com atitudes. O corpo queria o outro corpo, a alma exigia afeto, carinho. E assim, ela o amou outra vez e ele correspondeu.

A verdade é que há dores, cicatrizes e feridas novas, pela falta de exclusividade. Exclusividade é uma decisão, não é algo que venha naturalmente. 

O mundo é repleto de atrativos, de possibilidades sedutoras, mas é preciso olhar para o que se tem e avaliar os riscos envolvidos. Para o amor não vale a pena correr riscos. Não abrir espaço para as possibilidades é uma decisão.

A convivência prolongada construiu a história de suas vidas. Abrir espaço para as possibilidades é colocar em risco a própria história, a vida construída. É criar muros e dores.

Hoje ela está no apogeu do amor, luta internamente para manter o relacionamento. Esteve prestes a desistir, por alguns dias, ou semanas, a decisão do rompimento era algo real. Tão real que assustou. Ele desconhece essa suposta possibilidade.

E o amor reacendeu como que a impedir a desistência. Se manifestou com humildade, abrindo mão do orgulho ferido, do amor-próprio, atropelando a autoestima, numa busca desesperada pela sobrevivência.

Ninguém pode avaliar a capacidade deste amor, como ela o amou e ainda ama. Nem ela própria. 

Durante todos esses anos ela o amou de tantas formas de amar.
Nos primeiros anos amou apaixonadamente, com um amor puro, inocente e delicado. Depois o amou com rebeldia, com revolta. Com o tempo, o amor mais parecia ódio, muito ódio. E o ódio transformou esse amor em desejo de vingança. E ela o amou vingativamente. 

E assim, com o tempo, com o correr dos anos e das dores, acabou por amar através da indiferença. E quando não se esperava mais nada desse amor, eis que reacendeu, na forma de perdão.

Até onde o amor pode suportar? 

Maio de 2015

Nenhum comentário: