sábado, 6 de junho de 2015


 Sábado à noite

Sábado à noite, sozinha em casa ela pensava no que fazer. Poderia sair para jantar, ir ao cinema, mas preferiu ficar em casa. Tinha muitos livros pra ler, trabalho de faculdade para concluir, tantas coisas que não sabia por onde começar. Preferiu então deixar o trabalho acadêmico para o dia seguinte.

Estava numa fase romântica, justamente quando achava que isso já tivesse ficado no passado. Não se achava mais em idade pra romantismos, mas quem disse que romantismo tem idade? E assim, repleta de romance, sonhava. Contribuindo para seus sentimentos, os canais a cabo só passavam filmes românticos, pela proximidade do dia dos namorados.

Estava sozinha e queria ao menos um papo legal para um final de noite.  Não tinha coragem para Tinder, achava artificial, como se as pessoas fossem produtos numa vitrina a espera de um consumidor. Havia instalado o programa, mas não teve coragem de usar, não se sentia à vontade.

Sábado à noite, sozinha, mas não exatamente solitária, sua mente estava repleta de planos, o que queria era partilhar suas dúvidas, até sua ansiedade. Aliás, dizem que ansiedade é a preocupação com o futuro, talvez fosse isto. Dizem que é o oposto de depressão, e que esta funciona mais ou menos como uma prisão no passado. Decididamente, não estava deprimida, e sim ansiosa.

Já sabia o que fazer no domingo, acordar cedo, correr, cuidar do corpo e da alma, produzir serotonina com o exercício e todos os outros hormônios que provocam a felicidade. E dar prosseguimento ao seu trabalho acadêmico, que tinha data para ser entregue.

O único incômodo com aquele sábado à noite era a vontade de alguém para conversar e, um pouco mais, talvez o desejo de uma companhia, ainda que silenciosa. Pronto, era a fase romântica criando problemas para uma noite tão tranquila e com tantas coisas legais e importantes para fazer em casa.

Mas, como tudo o mais,  passa. Estava em paz.Voltou para os livros.







Nenhum comentário: