domingo, 7 de dezembro de 2008

VOLTA REDONDA, UMA CIDADE SEM MEMÓRIA.

Este não é exatamente um artigo, mas um desabafo de alguém que adotou esta cidade como sua e que aqui construiu a história de sua família, que aprendeu a amar cada metro quadrado deste espaço. Um desabafo com uma pequena (ou grande?) esperança de despertar as consciências para a perda da história de nossa cidade, Volta Redonda.

Deixo neste artigo meu protesto pela ausência de preservação histórica da memória arquitetônica da cidade, pela destruição das obras com significado peculiar, que remontam ao tempo de sua criação. A começar pela demolição, em 1955, da Igreja Santo Antonio, construída pelos portugueses por volta de 1880, e em seu lugar levantada uma nova e moderna igreja, em que coubessem todos os fiéis.

Pela demolição dos casarões de arquitetura colonial americana, que marcou a introdução de Volta Redonda na era industrial com a chegada da maior indústria siderúrgica da América Latina. Em nome do novo e da modernidade, a cada dia um casarão é demolido na Rua 33 e em seu lugar são colocadas obras modernas, arrojadas, enquanto a história vai se apagando. Viva o novo! Esqueça o velho! Esqueça o que já não é, porque nunca foi. E assim, paulatinamente, vão sumindo os vestígios de um passado recente. Foi assim com o cinema Poeirinha, apagado todos os seus traços, subtraído à história. Não importa, não será contado, ninguém saberá de sua existência e sua importância.

Quem veio de longe para levantar pedra por pedra, tijolo por tijolo esta cidade e construir um sonho de um Brasil moderno? Que braços construíram Volta Redonda? Arigó, quem se lembra dele? Hoje é só um monumento que poucos sabem que existe. A historia não é mais contada nas escolas, não interessa.

Pela falta de memória, os acontecimentos políticos estão abafados nos porões do esquecimento. Volta Redonda transformada em palco de guerra, a Usina ocupada pelos militares, para cumprir o mandado judicial de reintegração de posse. Em lugar de indenização, a impunidade, o esquecimento. Vinte anos depois e três operários mortos, restou apenas uma escultura de Oscar Niemeyer destruída, com aparência de abandono, como marca desse tempo.

Quem mais ama a cidade não são os filhos da terra, mas os forasteiros, que conseguem enxergar sua real dimensão, sua importância econômica, sua inserção na história do Brasil como um divisor de águas, um marco na era industrial brasileira. Triste a cidade que não tem o amor de seus filhos, triste a cidade que não preserva sua arquitetura, suas obras.

Uma cidade sem memória é uma cidade sem passado. Uma cidade sem memória é uma cidade sem cultura. Uma cidade sem memória é uma cidade sem paixão e sem sonhos. Uma cidade sem memória é quase uma cidade sem perspectiva de futuro. Está à deriva, navega conforme os ventos e as circunstâncias.

Quando foi que Volta Redonda perdeu o seu fio de Ariadne?

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